quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Perigo! Mantenha distância

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Amargo é o sabor do teu veneno... Maldito quem dele prova! Sufoca, paralisa, horroriza a morte. Afogo-me com rios dele todos os dias, todas as manhãs... Resisto. Muito desejei que os outros tivessem minha imunidade. Lamentável que muitos poucos a tem. Não poderás fazer comigo o que fazes com eles... Não a mim! Teu veneno não me atinge, e esse é o meu mal. Por isso me persegues, porque não sou como eles e porque tento salvá-los – inúteis tentativas, frustradas por enquanto – queres destruir minha esperança, mas ela esteve comigo por todo esse tempo, e continuará, até o fim... O meu fim...

Vejo o que faz o veneno à suas vítimas, dia após dia... Agonizam e gritam desesperados, fracos! Cedem aos teus desígnios para amorteceres sua dor; a dor transforma em prazer, mas cega – não são capazes de enxergar o que causam a si mesmos. Cada vez menos lúcidos, cada vez mais afetados.

Atrai-os com tua beleza. Questionável beleza... Por dentro dessa bela capa há podridão e fedor. Maquias com perfume esse teu cheiro carnicento, enfeitas com corações as caveiras que saem de tua boca. Celibatas a tua promiscuidade. Entranhas ressequidas, olhos transbordantes de mentira, boca vermelha de sangue... Miserável! Tuas palavras me causam enjoo, teus gestos, repugnância. Tua baixeza não me causa espanto. Teu caráter se foi junto com tua última gota excretada de sobriedade.

Destrói, corrompe, aniquila, mata, rouba, vicia, corrói, arde, queima, engana, engana, engana... Amargo é o sabor do teu veneno...


Fernanda

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Primavera

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Nem o sol da primavera é capaz de aquecer esses corações... Feitos de pedra, congelados de amargura. Ao menos as flores saciarão seus olhos sedentos da beleza que em suas vidas não existe.


Fernanda


* Feliz primavera a todos (desejo atrasado).

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Inevitável

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Tanto quanto uma paixão ter seus dissabores, a realidade, suas dores, eu e você é inevitável. Tão inevitável quanto a morte depois da vida, tão certo como a certeza de te amar. Amor esse que nem o maior cineasta vai retratar, escritor nenhum conseguirá imaginar. Não será revelado a espectadores, a não ser aos próprios protagonistas, que o guardarão a sete chaves, em sete baús, escondidos por sete mapas, encontrados depois de sete enigmas. Precioso demais, até para ser vivido. Mas por você, e por você apenas, eu corro esse risco: deixarei esse amor transparecer dentro de mim, como um precioso diamante à mostra num museu. Deixarei-o bem seguro, prometo, dentro do coração manterei, até o fim. Não será roubado, não será perdido, pois a senha de acesso é você e meus olhos, atentos alarmes contra todo e qualquer suspeito que articule tirá-lo de mim. Se for esse o intuito, será em vão. Meu amor, ele é teu.


Fernanda, para André


* Hoje, um ano de namoro

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mundo de sensações

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Estive afastada do meu mundo de sensações por um tempo. Um longo tempo, maior do que eu pude suportar. A cada dia, a cada estação que se passava, as sensações iam perdendo a intensidade, as cores perdiam seus significados, o céu já não era capaz de mudar meu humor repentinamente, como de costume – sempre para melhor. Era incrível o que um simples olhar para o alto poderia resultar naquela época... E eu nem percebia. Feliz desatenta.

Tento descobrir se as sensações já haviam na época em que eu me apaixonei pelo céu – infindo e adormecido romance – ou se elas vêm de brinde com as lembranças que têm fuzilado minha mente nos últimos tempos... Dúvida assoladora. A resposta talvez eu nunca encontre, mas graças à essa dúvida, finalmente lembrei-me das sensações.

Lembrei que um dia elas fizeram parte dos meus dias. E deixei-as. Deixei-as tomarem conta de mim novamente; permiti ao amarelo do sol trazer-me intensa alegria, à purpurina branca da noite estrelada, profunda serenidade, ao vermelho que cobre uma noite chuvosa como uma capa de veludo, inquietação... Sem falar do azul, tão azul de uma tarde ensolarada, que nome de tom nenhum ousa nomeá-lo. Ou ainda quando todo o espectro parece misturar-se, principalmente do azul claro ao amarelo, passando por violeta, rosa, vermelho e laranja, num entardecer de verão... Um espectro de sensações. Beleza demais para um olhar e uma menina que não sabem nem por onde começar.


Fernanda

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Novamente, começo

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Ouço vozes em tons de literatura. Notas e melodias prontas para serem declamadas por um som suave e feminino, de uma jovem narradora.

Tudo o que se passa por esta incansável e ordinariamente improdutiva mente, eleva-se a este fim – começo, talvez – palavras soltas ou formando um texto... Textos para que eu mesma entenda o que, e como penso; e o que faço dessas palavras e imagens, que vez ou outra, despencam como rochas na gravidade de Marte sobre o meu confuso e frágil pensamento. Aí mais uma teoria para as periódicas dores de cabeça...

Pensamentos, confusões, teorias... Tão retorcidas quanto qualquer filósofo sonha em conseguir, são o que continuamente me atordoam. É essa a razão para que tantas vezes me percebas olhando para algum lugar, que se quer existe, usando expressões faciais que se quer são nomeadas, sonhando acordada.

Rindo do além, enfurecendo-me de ninguém, às vezes – na maioria delas – eu prefiro estar afastada, para que os seus olhares de reprovação não venham a me reprimir, novamente. Novamente a liberdade quer ser liberta e eu não vou impedir que isso aconteça. Só peço: não a impeçam também.


Fernanda